O mês de janeiro representa um momento de dupla atenção para a gestão de manutenção industrial. De um lado, temos o “Start” da produção, onde máquinas que ficaram desligadas por dias são reenergizadas simultaneamente, gerando instabilidades na rede interna. Do outro, temos o clima severo, com tempestades de verão e alta incidência de descargas atmosféricas (raios).
Essa combinação cria o cenário perfeito para um dos fenômenos mais destrutivos da elétrica: o Surto de Tensão.
Não é raro que, logo na primeira semana do ano, indústrias enfrentem a queima “misteriosa” de CLPs, placas de inversores de frequência, fontes de alimentação e sistemas de segurança. O prejuízo não é apenas o hardware, mas os dias parados esperando a reposição.
Neste artigo, a FECVA explica tecnicamente como blindar sua planta contra esses eventos usando a proteção escalonada.
O Que é um Surto de Tensão (e por que ele não avisa)?
Diferente de uma sobrecarga (que aquece os cabos lentamente), o surto é um pico de tensão violento e extremamente rápido (milissegundos). Ele pode ser causado por:
- Descargas Atmosféricas: Um raio não precisa cair na sua fábrica. Se ele cair na rede de distribuição a quilômetros de distância, o surto viaja pelos cabos até entrar no seu quadro.
- Manobras de Rede: O religamento de energia pela concessionária ou a partida de grandes motores dentro da própria indústria geram transientes que danificam eletrônicos sensíveis.
O componente eletrônico não aguenta essa elevação súbita e “frita” instantaneamente.
A Solução: O Conceito de Proteção em Cascata
Muitos gestores erram ao achar que um único dispositivo protege a fábrica inteira. A norma ABNT NBR-5410 preconiza o uso de DPS (Dispositivos de Proteção contra Surtos) em camadas, ou zonas de proteção:
- Classe I (A “Portaria”): Instalado no QGBT (Quadro Geral de Baixa Tensão), na entrada de energia. Ele é robusto e feito para drenar a energia bruta de descargas diretas ou muito próximas. Ele “segura a pancada” maior.
- Classe II (O “Meio de Campo”): Instalado nos quadros de distribuição secundários. Ele protege contra os surtos residuais que passaram pelo Classe I e contra surtos induzidos nas proximidades.
- Classe III (A “Proteção Fina”): Instalado o mais próximo possível do equipamento sensível (dentro do painel de automação, protegendo o CLP). É a última barreira para garantir que a tensão que chega ao chip eletrônico seja segura.
Checklist de Retorno: Seus DPS estão operantes?
O DPS é um componente de sacrifício. Ele se “suicida” para salvar o equipamento. Por isso, antes de ligar as máquinas em 2026, verifique:
- O Visor de Status: A maioria dos DPS possui uma janelinha indicadora.
- 🟢 Verde: Operante.
- 🔴 Vermelho: Atuado/Queimado. O cartucho deve ser substituído imediatamente, pois o sistema está desprotegido.
- Conexão de Terra: O DPS só funciona se houver um caminho para desviar o surto para a terra. Verifique se o cabo de aterramento está conectado e firme.
Conclusão: Proteção é muito mais barata que reposição
O custo de um conjunto de DPS é irrisório se comparado ao valor de uma linha de produção parada ou de um inversor de frequência danificado. Investir em proteção contra surtos é uma apólice de seguro técnica indispensável, especialmente no verão brasileiro.
Garanta que 2026 comece sem surpresas desagradáveis. A FECVA possui a linha completa de DPS (Classes I, II e III) das melhores marcas do mercado.
Fale com nossos consultores e dimensione a proteção ideal para seus quadros.